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Plasticidade a seu alcance

 

Por Camilla Almeida

 

Arte: Gabriel Eid

O cérebro é uma parte essencial do sistema nervoso. Contando com mais de 86 milhões de neurônios, é nele que acontecem as sinapses, ligações entre essas células neurais, que possibilitam a transmissão dos impulsos nervosos para a formulação de respostas cognitivas. Elas se formam a partir de estímulos sensoriais, que despertam os sentidos do corpo, e motores, como exercícios físicos. 

Essas conexões são realizadas principalmente nos primeiros anos de vida: estima-se que um bebê de um ano pode vir a ter um milhão de novas sinapses por segundo, número que vai se esvaindo conforme a idade avança. Como não existe a possibilidade de se criar novos neurônios, a primeira infância torna-se definitiva para a formação do cérebro humano. Toda vez que a criança passa por novas experiências, como sentir cheiros e texturas diferentes, seu cérebro está se desenvolvendo e sendo modelado. 

É aí que entra uma característica fundamental desse órgão: a plasticidade. Com o nome que remete ao plástico, um material moldável, ela é  responsável por permitir que novas sinapses sejam formadas, dando, de certa forma, uma nova organização ao órgão.  

“Estudos mostram que aqueles que têm um menor risco de ter um quadro demencial, com a perda das capacidades cognitivas, são os que se mantiveram mais ativos durante a vida”, afirma Isabella Barcelos, neuropediatra pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A neuroplasticidade, então, não abarca apenas a desenvoltura nos primeiros anos de vida, mas também para a reabilitação e recuperação de funções cerebrais perdidas. 

As doenças neurológicas, como o Alzheimer, atingem determinadas partes do órgão, destruindo as células nervosas e consequentemente inabilitando as sinapses. No Alzheimer, sua destruição pode implicar na perda da memória. Contudo, em outras enfermidades similares, o paciente pode deixar de falar, de ler ou até mesmo de se movimentar.

Infelizmente, essas doenças são progressivas, ou seja, o aparecimento de seus sintomas não pode ser evitado. Mas existe uma maneira de burlar essas manifestações – e a resposta está justamente no conceito de neuroplasticidade. A partir de consultas fisioterápicas, fonoaudiológicas e até mesmo neuropsicológicas, é possível habilitar partes próximas da afetada pela doença para suprir a sua falta, criando assim novas sinapses.

“A reabilitação com fisioterapia, por exemplo, tem o intuito de replicar os movimentos naturais perdidos por aquela pessoa. A atividade irá estimular as proximidades da área lesada, o que faz com que vias alternativas, que podemos até chamar de gambiarras, sejam formadas”, diz Raphael Spera, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). 

De acordo com os especialistas, contudo, não se pode esperar o aparecimento de sintomas para começar a “exercitar” o cérebro. Os simples atos de aprender uma língua nova, praticar um esporte com regularidade ou tocar um instrumento musical já podem estimular o desenvolvimento cerebral e ajudar a manter o bem-estar físico e mental na velhice. 

Colaboradores: André Frazão Helene, professor do Instituto de Biologia (IB) da USP.

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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