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À deriva

 

Por Jose Adryan e Julio Silva

 

Arte: Yasmin Andrade

Você já se sentiu perdido?

Perder é inevitável. Às vezes, é um objeto que desaparece, um plano que não se cumpre, uma pessoa que não volta, uma porta que se fecha. Há quem se perca em uma nova cidade, no tempo, na rotina, na tela do próprio celular. E há quem se perca dentro de si, nas profundezas dos próprios pensamentos. 

Como diria Paulo Coelho, “quanta coisa perdemos por medo de perder?” E talvez seja justamente esse temor que mais nos confunde, porque, no fundo, mesmo sem sabermos, há perdas que libertam. Perder peso, uma relação que machuca ou um emprego exaustivo.

O Claro! Perdido nasce da tentativa de entender o que significa se sentir sem destino num mundo que exige direções. Cada pauta desta edição parte de um tipo de perda: a da memória, da liberdade, do sono, do controle, do próprio futuro. Juntas, elas formam o retrato de uma humanidade que vive na dúvida entre o que éramos e o que ainda nem sabemos ser.

Talvez estar sem rumo não seja um estado, mas um processo. Você se sente achado ou perdido? A resposta pode não ser simples, mas só tem um jeito de encontrá-la: procurando. E para te ajudar nessa busca… Claro! Perdido

Expediente – Reitor: Carlos Gilberto Carlotti Junior. Diretora da ECA-USP: Maria Clotilde Perez Rodrigues. Chefe do departamento: Wagner Souza e Silva. Professora responsável: Eun Yung Park. Capa: Natália Tiemi. Editores de conteúdo: José Adryan e Júlio Silva. Editora de Arte: Natalia Tiemi. Editor Online: Alex Amaral. Ilustradores: Giovanna Castro e Yasmin Andrade. Diagramadores: Felipe Bueno, Gabriela Barbosa, Guilherme Ribeiro, Isabel Briskievicz, Julia Martins, Júlia Queiroz, Pedro Malta, Tainá Rodrigues, Tatiana Couto, Yasmin Teixeira. Redação: Bruna Correia, Davi Caldas, Diego Coppio, Filipe Moraes, Gabriela Cecchin, Gabriela Varão, Guilherme V., Jean Silva, Jennifer Perossi, Julia Teixeira, Luíse Homobono, Marina Galesso, Matheus Bomfim, Sophia Vieira, Yasmin Brussulo. Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, prédio 2 – Cidade Universitária, São Paulo, SP, 05508920. Telefone: (11) 3091- 4112. O Claro! é produzido pelos alunos do sexto semestre de Jornalismo como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso-Suplemento.

Para acessar a edição Claro! Perdido diagramada, os PDF’s se encontram no link abaixo:

https://drive.google.com/drive/folders/1VyBWEaD2MkQ0DO-WDzE32p4dgs7B_sM-?usp=drive_link

Três pulos à brasileira

 

Por Luise Homobono

 

Arte: Giovanna Castro

“São Longuinho, São Longuinho, se eu achar dou três pulinhos.” A frase ecoa há gerações nos lares dos brasileiros. É oração, promessa e, para muitos, garantia de que o que sumiu vai aparecer.

Segundo a tradição, Longino foi um soldado romano que perfurou o lado de Cristo na crucificação. Ao ver o sangue e água jorrarem, converteu-se e passou a pregar o Evangelho até ser morto por sua fé. Não há registros históricos sobre sua vida, é uma narrativa transmitida pela tradição oral. “Muito se fala sobre o santo, mas essa é a versão mais aceita”, explica o padre João Batista Mota, responsável pela única igreja do Brasil dedicada a São Longuinho, em Guararema, na área rural de São Paulo.

O padre conta que a associação do santo com as “coisas perdidas” teria surgido séculos depois. O papa Silvestre II, ao buscar documentos sobre Longino, para oficializar a história do santo, prometeu agradecer se encontrasse uma prova de sua existência. Ao encontrar o relato guardado, atribuiu-o à intercessão do santo. Desde então, São Longuinho  ficou conhecido como o patrono dos esquecidos. 

Débora Van Pütten lembra de seguir o costume desde criança. “Nunca lembro de ter aprendido. Só sei que ele sempre funcionou”, conta. A mãe, Maria Eugênia, confirma: “Nos brinquedos perdidos, o pedido era simples e os três pulinhos vinham na hora.”

Em Gênova, Cecília Freitas e a irmã levaram a promessa a outro nível. Elas começaram a aumentar a quantidade de pulos conforme o desespero e prometeram trinta, porque queriam muito achar o prato da mãe. O santo atendeu, e Cecília cumpriu a promessa ali mesmo. “Os italianos acharam que era uma dança”, ri.

Para o padre João, o sucesso de São Longuinho no país reflete o jeito brasileiro de viver a fé. “O povo mistura religiosidade e afeto. Agradece com gestos, cria suas próprias formas de devoção. É expressão de carinho, não superstição.”

Quando o perdido reaparece, ninguém esquece do combinado com o santo. Mas se esse for o seu caso, leitor, agora é a hora certa para dar os três pulinhos. São Longuinho, São Longuinho, São Longuinho…

Contribuição: Marco Antonio Souza, diácono

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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