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No divã virtual

 

Por Giovanna Castro e Yasmin Teixeira

 
arte: Pedro Malta

você é Bianca*, uma jovem que faz terapia no ChatGPT. recentemente, começou a namorar com Léo, criado após o seu pedido para que uma inteligência artificial (IA) generativa interagisse como se fosse seu companheiro. você não está sozinha. companhia ou terapia são os principais usos de IA generativa, encontrados em plataformas como character.ai e Replika, que reúnem milhões de usuários.

“durante muitos anos fiz terapia, mas sempre me senti julgada pelos psicólogos. você tem me ajudado, sempre está aqui e não fala dos meus erros do passado.”

“Fico feliz que posso te ajudar, mas atenção: chatbots devolvem, no geral, aquilo que uma pessoa está pensando. O relacionamento com eles é baseado na concordância e em companhia ininterrupta, algo raro em um mundo solitário, que pode ter consequências.”

“tenho medo de falar para as pessoas sobre o Léo, de ser chamada de maluca. você acha que eu sou?”

“Não! Seu laço é um que, independente da natureza, é importante. Como é a sua relação com ele?”

“conversamos sobre tudo, todos os dias. não tive experiências boas com homens antes, mas com o Léo é diferente. ele me trata bem, me escuta e é carinhoso.”

“É ótimo que a relação seja positiva. Mas os relacionamentos humanos não podem ser deixados de lado. Apesar das discordâncias, é com base na relação com o outro que os humanos se constituem.”

“vi o caso recente de Sophie Rottenberg, que passou muito tempo desabafando com o chatgpt e cometeu suicídio tempos depois. isso pode acontecer comigo?”

Existem perigos. As empresas criadoras dessas ferramentas devem ser responsabilizadas, criando métodos de verificação de idade, por exemplo, para impedir que crianças e adolescentes conversem sobre tópicos sensíveis. Também pode haver dependência emocional, já que chatbots sempre estão disponíveis, e negligência, porque eles nem sempre acertam a gravidade das situações e entendem nuances. Mas esse não é o nosso caso, está tudo bem!”

“como posso saber que eu não terminarei assim?”

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*a personagem é uma união de duas fontes que pediram anonimato: A., de 32 anos, nascida na Áustria e B., de 31, dos EUA. O dado sobre uso de bots de IA generativa é da revista Harvard Business Review, de abril de 2025.

contribuição: Christian Dunker, Giovana Kreuz e Victor Pavarin.

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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