
um amigo hoje me disse a seguinte frase: “eu busco uma vida offline com momentos digitais, e não uma vida digital com momentos offline”. logo em seguida, disse a ele sobre o momento em que eu decidi largar as redes sociais, principalmente o Instagram.
a relação que eu tenho com o “insta”, inclusive, é engraçada. desde o início, fiquei apaixonado pela ideia visual do aplicativo, focado 100% na fotografia! comecei a postar imagens dos meus retratos e a me importar com as interações entre os meus posts e os mais de três bilhões de usuários do app. uma análise da Boise State University de 2024 aponta que o Instagram contribui para a comparação social e corporal, além de aumentar a ansiedade, impulsionada pela liberação de dopamina através de recompensas como “curtidas”. transformei um hobby em um sentimento ruim.
desinstalei. por alguns segundos, senti que a minha vida não se baseava no online. mas foi difícil… havia muito mais do que “apenas imagens” ali. depois de dois meses com esse “detox digital”, baixei novamente apenas para ver meu “álbum”, mas o sentimento de abrir o Instagram de novo foi péssimo. nada novo, tudo igual. desinstalei de novo. a estratégia que eu fiz foi imprimir essas fotos e colocar em um livro de recordações. minha vida melhorou muito desde então. melhorei minhas relações sociais e tive momentos de ócio que foram prazerosos — sentimento que eu não sentia desde a infância.
sem Instagram, comecei a ler livros, e foi quando eu descobri a obra “Walden”, de Henry David Thoreau. o clássico narra a experiência de dois anos do autor vivendo de forma simples e isolada na natureza. ao finalizar as páginas, me senti convidado a fazer esse “desafio” e meditar sobre a vida. em três meses de retiro, percebi que a atenção é diferente de foco — este, com um sentido produtivo e voltado à realização de tarefas. aquela é como um “oásis no deserto”: para a água vir à tona, não é necessário puxá-la, e sim esperar o vento soprar a areia para que a água possa aparecer. eu só não conseguia acessá-la sem a visão “capitalista” da coisa.
o que faltava era somente eu “entrar em fluxo”, como um rio em movimento. o meu problema nunca foi a dependência digital; ou não no sentido patológico, como uma nomofobia. a “cura” veio primeiramente no mental e emocional. acho que no final, a graça é que hoje eu consigo viver com o Instagram, só que eu escolho não priorizá-lo. eu escolho que ele não seja esse “ímã de atenção”, e isso sim foi um verdadeiro “detox”.
contribuição: Anna Lucia King, Asú Mar e Renan Diegues