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Procrastinar pode ser um problema de saúde

 

Por João Paulo Almeida

 

“Amanhã eu faço. Depois eu vejo.” Esse é o lema da procrastinação, o adiamento das tarefas, geralmente relacionadas às obrigações e apontada como uma falha de produtividade ou compromisso.

 

Adiar é normal, uma vez que nem tudo precisa ser feito na hora, mas, a partir de determinado grau, a procrastinação, associada a fatores como depressão, ansiedade e baixa autoestima pode ser considerada uma patologia, explica a psicóloga clínica Heloísa Beazim.

 

O indivíduo não consegue realizar suas tarefas, não cumpre os prazos no trabalho, empurra para depois as atividades domésticas, com danos em todas as áreas de sua vida. “Ocorre quando a pessoa deixa de realizar atividades importantes e passa a ter prejuízo.”

 

Sob pressão, a situação agrava-se, porque ele pode questionar sua própria capacidade: “será que vou dar conta? Eu não consigo, eu não sirvo para nada”.

 

O tratamento é por meio de terapia ou até mesmo com uso de medicamentos, já que pode envolver também deficiências da própria fisiologia.

 

A psicóloga Graça Maria de Oliveira relata o caso em que um paciente trabalhava como freelancer, mas perdeu os clientes por não cumprir os prazos e entregar trabalhos sem qualidade. Com a crise econômica, ele buscava alternativas, mas foi muito prejudicado pela procrastinação. Graça explica a necessidade de haver harmonia entre as funções cognitivas, como atenção, sensibilidade, memória e que, quando ocorrem falhas entre elas, é que os problemas se intensificam, dependendo do perfil do indivíduo.

 

Ela também esclarece o porquê, teoricamente, um adulto é mais responsável do que um adolescente:  “Na área frontal do cérebro, estão as funções mais avançadas, que amadurecem ao longo da vida. Uma criança e um adolescente ainda não atingiram a maturidade de um adulto.”

 

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade também podem ser sintomas da procrastinação, afirma o terapeuta comportamental Túlio Andrade, da equipe D20, que trabalha com diversos grupos terapêuticos. “O momento que devemos nos atentar é quando ela passa a “tomar conta” da nossa vida, quando passamos a evitar tarefas que não poderiam ser evitadas”, finaliza.

 

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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