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Onde estão as instruções?

 

Por Diego Coppio

 

Arte: Giovanna Castro

Fazer aniversário na infância é sinônimo de festa e alegria. Na adolescência, vira uma contagem regressiva para a tão sonhada maioridade e seus privilégios. Beber sem precisar esconder, dirigir, ter mais liberdade e começar a sonhar com voos mais distantes.

Até aqui, foi traçada uma trajetória de vida: ir para a escola, escolher uma carreira e trabalhar. No entanto, ao entrar na fase adulta, fazer aniversário pode mostrar que esse roteiro não é tão organizado quanto parece.

Uma pesquisa do LinkedIn, de 2018, mostrou que 80% dos brasileiros de 25 a 33 anos passam pela “crise do quarto de vida”, fenômeno que ocorre devido a desconexão entre expectativas e a realidade da carreira, e que leva jovens adultos a se sentirem perdidos e repensarem suas escolhas de vida. Em casos mais intensos, pode acarretar em quadros de adoecimento mental, com sintomas de burnout, estresse e ansiedade.

Apesar do nome, é uma situação que não está necessariamente ligada à idade, mas ao momento da vida. Na opinião de Danieli Silva, analista de RH, isso acontece em momentos de mudanças significativas e reavaliações de prioridades.

Na última década, esse fenômeno passou a ocorrer frequentemente com pessoas mais jovens, devido ao acesso antecipado à faculdade e ao mercado de trabalho — com maior acesso à informação —, à flexibilidade dos empregos atuais e à mudança no significado de trabalho para essa população, que busca ter um propósito em sua ocupação, ao invés de priorizar os ganhos financeiros. 

“A carreira deixou de ser uma escada vertical e passou a ser mais horizontal, com foco em experiências diversas, equilíbrio de vida e propósito. Muitos valorizam mais a flexibilidade, o bem-estar e a cultura organizacional do que um plano de carreira tradicional ou altos salários”, opina Danieli.

Ao atribuir a necessidade de um propósito de vida à esfera profissional, os jovens acabam por romantizar a carreira, podendo interpretar cada defeito como um problema intolerável. E com o crescimento das redes sociais, a comparação com influenciadores aumenta essa idealização. Para a psicóloga orientadora de carreiras Ananda Gama, “aquele profissional que ela acompanha na internet não compartilha o estresse, a burocracia, os desafios concretos do dia-a-dia de trabalho”.

Um caminho para evitar essa crise é entender que não existe uma carreira ideal, e ter clareza em quais são seus valores e no que é inegociável em um trabalho. A orientação profissional também é importante, pois trabalha com o autoconhecimento e mostra que estar perdido na carreira, independente da idade, não é sinônimo de fracasso.

Contribuição: Ana Carolinna Gimenez, estrategista de dados; Pedro Boldino, estudante de Educação Física; Virgínia Fernandes, assistente administrativo

Um por todos ou todos por um: por quem viver

 

Por Beatriz Azevedo e Camila Paim

 

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Arte por Gabriella Sales e Mariana Catacci

 

É possível viver só para si ou só para outros? Ou existe um equilíbrio entre os dois? Nesse podcast nós discutimos esse dilema, analisando pessoas reais e personagens da ficção, como Anna Karenina e Atticus Finch, e a maneira que lidaram com ele.

 

 

 

Colaboraram:

Homero Silveira Santiago, professor de filosofia na USP

Marcelo Galuppo, professor de direito na UFMG e na PUC Minas

Franck Dagba, organizador da escolinha de futebol F7

Carminha

Apoio técnico:

Pedro Henrique de Sousa

Vinicius Garcia

 

O claro! é produzido pelos alunos do 3º ano de graduação em Jornalismo, como parte da disciplina Laboratório de Jornalismo - Suplemento.

Tiragem impressa: 5.000 exemplares

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