
Arte: Alex Teruel
Da Faria Lima para toda a Grande São Paulo, os anglicismos entraram em nosso cotidiano e formaram a chamada cultura “faria limer”. Para quem não conhece, aqui vai um briefing deste lifestyle: start no mundo corporativo, use muitos termos técnicos em inglês até que você consiga atender um customer com um project muito impactante! Sounds good?
Essa trend ultrapassou o mundo corporativo e atingiu diferentes camadas da população. No Brasil, já não pedimos mais comida em domicílio… Só delivery. Usar termos em inglês, no entanto, não nos torna o novo Tio Sam. Apesar dos “faria limers”, o país sul-americano possui baixa proficiência no idioma e figura o 75° lugar em uma pesquisa da Education First.
Lis Rangel é estudante de Nutrição e ingressou há um ano no marketing de uma multinacional de alimentos. Sabendo apenas o basic, ela conta que sempre utiliza termos técnicos em inglês. Com ajuda de ferramentas como a Inteligência Artificial (IA), Lis se adaptou para fazer calls corporativas e confessa que já deixou de “tomar café da manhã para tomar um brunch com as amigas”.
Esses estrangeirismos surgem da interação entre culturas e se intensificam com a globalização. Clarice Corbari, doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que o resultado é a importação de vocábulos e modelos de negócios do exterior: “é um processo natural nas línguas”.
Referências empresariais não faltam. Oito das empresas mais valiosas do mundo estão nos United States. O aprendizado também cresce no exterior. O Relatório de Idiomas Duolingo 2025 revelou que o idioma é o mais estudado em 79% dos países, registrando um aumento de 14% em relação a 2024.
Com a alta da procura, Corbari alerta para “uma fetichização da língua estrangeira, onde usar uma palavra, supostamente, vai dar mais valor ao produto”. Na prática, o consultor Maycon Saranti observa: “o problema é usar o anglicismo sem saber o significado. Infelizmente, isso é bem comum no mercado”. Got it?
Colaboradores:
Beatriz Leite, sócia da Zabaione Gastronomia
Isabel Ribeiro, analista financeira